quinta-feira, 1 de junho de 2017

Larvas





                                Terapia Larval 


                       (Esq.) Chrysomya putoria e (dir.) Chrysomya megacephala (Diptera: Calliphoridae).
                                                   Imagens: Grella, M.D. 2010.

terapia larval (TL) consiste na aplicação intencional de larvas de moscas (Diptera) criadas em laboratório sobre lesões, feridas crônicas e/ou infectadas, tendo como finalidade a cicatrização tecidual.
As larvas usadas devem estar vivas, desinfectadas e ser necrobiontófagas, ou seja, se alimentar de tecido morto de um animal vivo. O procedimento tem sido uma maneira alternativa, e por vezes mais eficaz, para a limpeza de feridas, uma vez que as larvas removem a secreção e promovem a limpeza do tecido necrosado.
                                                  Larvas da espécie Lucilia sericata
Imagens: ITurkmen, A.; Graham K.; McGrouther D.A. 2010. Therapeutic applications of the larvae for wound debridement. – Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery (63), 184-188.
As larvas ingerem crostas, pus e bactérias as quais, ao passar pelo tubo digestório do inseto, morrem. Adicionalmente, nesse processo que envolve a locomoção sobre as lesões, liberam amônia e proteínas cicatrizantes que matam bactérias e estimulam a cicatrização, respectivamente.
Nos Estados Unidos a TL foi amplamente empregada até a década de 1930, caindo em desuso logo após o aparecimento dos antibióticos. Alto custo e o desenvolvimento de resistência a esses medicamentos assinalada para certos grupos de bactérias patogênicas para o homem favoreceram o ressurgimento da TL, atualmente muito utilizada em cerca de 20 países, tais como Reino Unido, Alemanha, Estados Unidos e Israel.

Resultados da Terapia Larval

Paciente com ulceração na Holanda [onde (D) aspecto da lesão gangrenosa na perna, (E) larvas de Lucilia sericata sobre a ferida e (F) membro um anós após o tratamento.
                                                       Imagens: Jukema et al. 2002

Os resultados têm sido satisfatórios e faz-se necessário registrar o índice de cura da ferida, em torno de 80 a 90%, independente da etiologia da lesão. Em diabéticos tem chamado à atenção a rápida cicatrização que leva à queda do número de amputações e até mortes.
Em nosso país o preconceito e o desconhecimento da população e do pessoal envolvido com a área da saúde vêm impedindo a implantação dessa técnica de excelência.

A terapia Larval No Brasil

Mesmo com um número reduzido de publicações – por exemplo, apenas um livro de revisão sobre o assunto intitulado “Terapia larval de lesões de pele causadas por diabetes e outras doenças” – e de pesquisas em andamento – conduzidas por especialistas em moscas no Estado de São Paulo – o uso da TL poderia ser realidade no Brasil desde o presente momento.
Estudos apontam pelo menos duas espécies para uso em TL de fácil obtenção em território nacional e testes já comprovaram a eficácia das mesmas – Chrysomya putoria e Chrysomya megacephala (Diptera: Calliphoridae) – na cura de feridas induzidas em ratos.

Imagens: ITurkmen, A.; Graham K.; McGrouther D.A. 2010. Therapeutic applications of the larvae for wound debridement. – Journal of Plastic, Reconstructive & Aesthetic Surgery (63), 184-188.


Referências

  • JUKEMA, G.N.; MENON, A. G.; BERNARDS A. T.; STEENVOORDE, P.; TAHERI RASTEGAR A. & VAN DISSEL J.T. 2002. Amputation-Sparing Treatment by Nature: “Surgical” Maggots Revisited . Clinical Infectious Disease, 35: 1566–71.
  • MACDOUGALL, K.M. & RODGERS, F.R. 2004. A case study using larval therapy in the community setting. British Journal Nursing13 (5): 255-260.
  • MARCONDES, C.B. 2006. Terapia Larval: de lesões de pele causadas por diabetes e outras doenças. Santa Catarina: Editora da UFSC. 89p.
  • NITSCHE, M.J.T. 2010. Avaliação da recuperação de lesões cutâneas por meio de terapia larval utilizando como modelos ratos Wistar. UNESP: Tese de Doutorado. 53p.
  • SHERMAN, R.A.; HALL, M.J.R. & THOMAS, S. 2000. Medical Maggots: an Ancient Remedy for some Contemporary Afflictions. Annual Reviews Entomology, 45: 55-81.
  • http://www.coletivoverde.com.br/terapia-larval/

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